Mesmo com 8 anos, me lembro bem que 1983 foi um ano bem louco.
Ao mesmo tempo que no topo das paradas estavam músicas leves, meio ingênuas e que só queriam divertir como'Girls just wanna have fun'(Cindy Lauper),'Hungry like the wolf'(Duran Duran),'1999'(Prince) e'Relax'(Frankie goes to Hollywood), o mundo viviaum clima pesado, sob a aura da Guerra Fria.
O mundo polarizado, a febre da Corrida Espacial, URSS em guerra contra o Afeganistão (que ironia), CIA perseguindo comunistas no Irã, boicote mútuo das Olimpíadas e muitas outras maluquices do tipo estavam acontecendo na época.
A alemã Gabriele Susanne Kerner, mais conhecida comoNena, conseguiu juntar os sentimentos constrastantes numa mesma música: a incrível99 Luftballons.
Uma pegada suave, ingênua, divertida e ao mesmo tempo com uma força descomunal e uma letra desconcertrante, contando a história de singelos balões vermelhos passeando tranquilos no horizonte até ultrapassarem o Muro de Berlin. O lado 'soviético' da Alemanhã, neurótico e militarizado, usa seu aparato de guerra para atacar os balões, como se fossem uma ameaça à segurança nacional. E Nena pergunta "Cara, quem imaginaria que chegaria a esse ponto?". Ótima pergunta.
Esse show foi em sua terra natal, no auge do sucesso da música e fica muito claro como reflete o sentimento da época, com o público hipnotizado pela performance de Nena e banda. Batem palmas, dançam, e, ao final de música, quando Nena estica o microfone em direçao ao palco, expondo tufos de pêlo sob seus braços, eles cantam sozinhos a última parte da música, em uníssono, deixando claro que ela conseguiu de fato captar a essência do momento e transformar a música em algo especial pra eles.
Eu era muito novo pra entender tudo isso na época, mas confesso que, há pouco tempo, depois de muitos anos sem escutá-la,99 Luftballons, também tomou um significado especial pra mim.
Atualmente Nena, do alto dos seus cinquenta a poucos anos, observa à distância as maluquices dos anos 2000+ (bem parecidas com as de 83, com alguns protagonistas diferentes, entre eles a China) enquanto solta balões vermelhos com sua netinha Carla, de 2 anos.
“We all came down to Montreux…” A música começa assim.
A carreira do Purple começou assim. Tudo começou lá, com os Alpes Suiços
como testemunhas de uma revolução na música no início dos anos 70.
Fantástico ouvir Ian Gillan cantando a história que
aconteceu com eles ainda novatos, na primeira vez na mesma Montreux, há 40
anos.
História essa que se tornou a mãe de todas as canções de hard rock.
Lembre-se que tudo começou com um idiota que disparou um sinalizador durante
o show do Zappa, incendiando o Cassino de Montreux, onde
era realizado o Festival. A “fumaça na água - smoke on the water” vinha do fogo
que se espalhou pelo Lago Geneva, próximo ao Cassino.
Depois dessa, o Purple teve que achar outro teto para gravar seu primeiro
disco. Encontraram com a ajuda de Claude Nobs, diretor do
festival retratado na música como “Funky Claude”, gravaram“Machine Head”, seu disco mais bem sucedido
comercialmente e o resto é história …
Esta apresentação de 2006, que celebrou 40 anos do Free Jazz Festival de
Montreux, também se tornou histórica.
Começa bem de leve com o teclado numa levada jazzística, acompanhado no
improviso pela guitarra de Steve Morse, o monstro. Os outros
instrumentos vão entrando e aos poucos, acorde a acorde, o público reconhece o
clássicão e vibra de imediato com o melhor riff da história do rock.
A maravilhosa consistência desta performance só pode ser comparada à que os
Stones apresentam, depois de décadas na estrada.
Performance sem pirotecnia, mas bem cuidada e ao mesmo tempo relaxada,
descontraída. Alto astral e contagiante.
Vestido de preto, microfone na mão, postura de palestrante de Auto-ajuda, Roger Waters está sozinho.
Atrás dele, um imenso muro, “The Wall”, exageradamente grande, aumentando ainda mais a impressão de solidão no palco.
No palco e na vida, desde a implosão de uma das bandas mais inovadoras e talentosas de todos os tempos: Pink Floyd.
Sozinho, até cantar ‘Can you show me where it hurts?’. O topo do muro se ilumina, desvendando sua cara-metade David Gilmour.
Depois de anos de dolorosas brigas e disputas, o cérebro e o coração do Pink Floyd tocam juntos.
O público delira, enquanto Roger levanta os 2 braços no ar e quase flutua, como se estivesse vendo o Messias diante de seus olhos.
Gilmour toca e canta. Roger, lá embaixo, é o maestro. Entusiasmado. Emocionado.
Durante o segundo solo de Gilmour, aos 6:27, Roger, num gesto intenso, com as 2 mãos finalmente derruba o imenso muro, com uma onda colorida, sobrepujando o cinza, pedaço por pedaço. Enquanto isso, Gilmour toca em transe.
Acaba o solo, Roger reverencia Gilmour que olha para baixo, sorrindo, e agradece sutilmente.
‘High time, we made a stand & shook up the views of the common men’
O objetivo era esse mesmo: dar um choque e acordar o alienado povo inglês.
Em 89 o cenário político da Inglaterra passava por fortes mudanças e ninguém mais aguentava a Dama de Ferro Thatcher, que foi devidamente retratada: ‘Politician Grannie with your high ideals, have no idea how the majority feels’.
Depois da era do Clash, os ingleses não tinham visto esse tipo de engajamento e chamada às ruas tão clara de uma banda mainstream: ‘If you are a worried man, then shout about it’.
Muito menos estímulo a estudarem, lerem e construirem suas próprias opiniões: ‘Read in the books in the crannies and the nooks there are books to read’. Nesta versão ao vivo, Orzabal acrescenta: ‘You gotta educate yourselves’.
A mensagem final ‘And I believe in love power…’, forte influência de Beatles e dos 60 mostra o antídoto para toda a inquietação daquele momento.
Mas o que me impressionou ao ver este show foi como a performace do Tears for Fears melhorou demais, 20 anos depois.
Começando pela voz de Orzabal. Muito mais precisa, potente e afinada que no auge da banda. Dá gosto de ouvir. Sua presença de palco também está em outro nível, sem comparação com os shows antigos.
Curt Smith continua com sua presença discreta e correta. Só que desta vez parece mais integrado e entrosado com a banda. Antes parecia que ele tocava sozinho, em seu próprio mundo.
Nessa versão 2007 da ‘Night of the Proms’ tudo funcionou: iluminação, orquestra, palco, direção de arte. Tudo aconteceu em perfeita sincronia com a música.
As backing vocals dão um show à parte. Desde o visual até a afinação, passando por flerte discreto com as câmeras.
Depois de toda essa entrega no palco, é sacanagem criticar Orzabal, mas não dá pra ignorar as ‘pizzas’ sob os braços dele após alguns minutos no palco :) É, tudo melhorou no TFT, menos o preparo físico ….
Grandes causas inspiram grandes músicas. Assim foi com ‘People get ready’.
Durante a 2a.Guerra Mundial, alguém se tocou que não fazia sentido para jovens negros representarem a América contra o racismo Nazista, já que sofriam do mesmo racismo em seu próprio quintal.
Decidiram fazer a “March on Washington“ para pressionar o governo. No final, esse foi o protesto histórico de grande impacto onde Luther King apresentou seu famoso discurso “I have a dream” e depois levou o Nobel da Paz.
Neste clima surgiu a inspiração para ‘People Get Ready’, dos The Impressions. com todo o seu conteúdo de perdão e fé, atravessando raças e religiões.
Jeff Beck protagonizou a versão cover mais famosa com Rod Stewart, mas foi junto com Sting que a música teve os vocais mais verdadeiros e à altura do perfeccionismo cheio de sentimento de El Becko.
Arrisco dizer que são os melhores vocais de Sting. Nem no Police viu-se tamanha entrega, qualidade e sentimento. Talvez o fato de ser ativista de movimentos de Direitos Humanos e acreditar verdadeiramente no que inspirou a música tenha ajudado na performance.
Melhor usar a energia assim do que a vergonha alheia que era desfilar pra cima e pra baixo com Juruna, como ele fazia nos anos 80 :)
Zuckerberg e turma querem mais. Querem o mundo todo! Virtual, real, imaginário ... Tudo!
Megalomania no seu estado mais puro.
O pior é que existe uma chance que isso aconteça. O Facebook pode ampliar agressivamente a sua zona de influência e mudar o nosso dia a dia de formas que nunca poderíamos imaginar antes.
A pergunta é: qual a peça fundamental para tornar esse sonho realidade? Simples: Mexer no bolso das pessoas.
Sim, porque as grandes revoluções começam e terminam por dinheiro, muito mais que por amor, princípios ou ideologias. Sad, but true.
E é esse o caminho do Facebook. Mudar o mundo real através do dinheiro.Mais especificamente, da MOEDA.
Parece utópico? Então leia um pouco mais e junte as peças.
Veja o Facebook Credits, por exemplo. Você usa para comprar uma nova macieira pro seu Farmville , ou pra acessar algum daqueles aplicativos chatos e viciantes do Facebook, entre outras bobagens. E como você compra os créditos? Com grana real, oras! Cartão de crédito ou PayPal. Você pode até transferir ou comprar créditos para seus amigos.
Então é como se fossem fichas de um jogo de poker. Você compra, aposta, troca, ganha, perde, mas só valem dentro do jogo. Você não vai conseguir pagar um café com a ficha. Nem com os Facebook Credits. Já imaginou se conseguisse? Pois é...
Zuckerberg já imaginou e está a caminho de transformar isso em realidade mais rápido do que imaginamos.
Juntando as peças: Ele já tem a moeda virtual e tem 500 milhões de possíveis "clientes". Ah! E tem também a Sheryl Sandberg(ex-Banco Mundial e ex-Chefe de Gabinete da Secretaria do Tesouro dos EUA) tocando a empresa e agora tem a ligação que faltava com o mundo real: Goldman Sachs.
Pra mim, foi feito principalmente para criar a ligação do Facebook e sua moeda virtual com o sistema financeiro real. Ou seja, transformar seus créditos em grana viva, para pagar qualquer coisa no mundo real.
Aí sim você poderá pagar seu café com os créditos do Facebook. E todo o resto também. Quem aceitar um cartão de crédito poderá aceitar os Facebook Credits.
Um novo banco começando com mais de 500 milhões de correntistas e você é um deles ... Que tal?
Essa era a música que tocava no momento que cheguei ao topo da Brigadeiro e virei à direta na Paulista pra finalmente cruzar a linha de chegada da São Silvestre 2010.
Respondendo à pergunta insistente da música, sim, eu estava pronto pra entrar pro grupo dos milhares de doidos que, no último dia do ano, pára os preparativos do Reveillon e corre pelas ruas do centro de São Paulo, num calor desumano, poucas horas antes da virada e ... sobrevive ao desafio.
E como o caminho até lá foi longo ... Longo e muito mais divertido do que eu podia imaginar.
Chamar a São Silvestre de corrida de rua é diminuir demais a sua importância e subestimar demais o seu impacto.
A Santa Silvestre é a forma de fechar o ano com chave de ouro, com a alma lavada, superando seus limites, confraternizando com amigos ou com pessoas que conheceu lá mesmo, cumprindo a última meta do ano e entrando o novo ano energizado.
Foi isso o que aconteceu comigo desde o momento em que pisei na Paulista. A energia naquele local é algo inexplicável e incrível. Algo muito diferente...
Enquanto Harry Potters, Tiririca e Papais Noéis alinham-se, a largada do pelotão geral é anunciada. O objetivo da largada é manter-se em pé e em movimento no meio da multidão. O resto é lucro.
Acho que uns 800 corredores me ultrapassaram nos 2KM de descida da Consolação. Início de corrida, todo mundo empolgado, valente e acelerando mais que o necessário. Alguns ficam ali no final da Consolação mesmo. É tudo festa.
Mas a subida do Elevado não é festa, não. Todo mundo só fala da subida da Brigadeiro, mas o Elevado é um ponto crítico. Além da subida, é o trecho mais quente. É MUITO quente. Os prédios em volta do Elevado não deixam o ar circular. Saara é aqui, my friend.
Ainda bem que os moradores dos prédios dão um show à parte pra nos distrair. Cada um inventa uma moda pra chamar atenção para a sua janela. Tem de tudo. O aroma de Pernil e Peru sendo preparados para a ceia é cortesia :)
No meio do Elevado o público grita que o Marilson ganhou! Bom sinal, penso eu. Mas, peraí. Estou no KM 4 e o cara já terminou??? WTF???Bom, cada um com o seu cada um...Vamos em frente.
No meio de uns 30 mil, na esquina da Ipiranga com a São João, encontrei um amigo, o Elias, o que foi fundamental naquela hora, porque o calor estava pegando e ainda tinha muito asfalto pela frente. Ele é corredor experiente, tinha acabado de operar o joelho e, contrariando o médico, não resistiu e foi encarar a SS. Ele me ajudou a manter um bom ritmo nos 5KM seguintes e depois seguiu em frente.
Vencido o Elevado, a Avenida Pacaembú, seu viaduto e adjacências foram fichinha, ao som de "Rock n'Roll all Nite" e "Operation Spirit". Até outro viaduto, o Rudge. Esse é de matar. Já no KM9, muito íngreme. E o calor continuava. Difícil.
Até que vi um sujeito passar por mim como se estivesse com patins e eu com os pés grudados no chão. E pior: ele carregava uma maquete da cidade do RJ sobre sua cabeça. Calculo que o troço pesava pelo menos uns 10 KG. Respirei fundo e aumentei o ritmo, enquanto um "torcedor" percebia o calor e estendeu o braço com uma lata de cerveja pra mim...
A sensação na avenida Rio Branco era que eu estava correndo numa esteira. Corria, corria e não acabava nunca. Pra aumentar essa sensação, eu ficava olhando a numeração da rua nas placas das esquinas pra ver se passava mais rápido, mas o efeito, claro, foi o contrário. Ainda bem que "Don't stop me now" me ajudou a manter a concentração.
Separando a Rio Branco da temida Brigadeiro, tinham uns 2KM pelo centro velho de SP. Foi uma delícia passar pelo Viaduto do Chá, Largo Paissandu, etc, com um vsual totalmente diferente do normal. Nada de engravatados apressados. Apenas "torcedores" aos montes, empurrando os corredores.
Agora era hora da Brigadeiro. E aí? Sobe ou "quebra"? Sooobe!
Acho que estava preparado para uma subida tão forte que as panturrilhas nem reclamaram nessa hora. Ou seria eu que já estava anestediado e endorfinado ao extremo e nao senti nada? Sei lá, só sei que nao foi tão difícil quanto o imaginado. Aqui uns 30% dos heróis caminhavam. Muita torcida e muitos fotógrafos dos sites ao som de "Highway Star".
Não estava acreditando que estava tão "fácil". Enquanto isso, um Pica Pau gigante me ultrapassava, quase literalmente voando.Como o cara sobrevive numa fantasia dessa com o calor que fazia, só Deus sabe.
"Are you ready" começa a tocar enquanto entro na Paulista. Vou me aproximando da linha de chegada tiro os fones e escuto os aplausos. As crianças nas grades estedem as mãos e cumprimento uns 50.
Finalmente cruzo a chegada. Adrenalina, emoção, alegria, felicidade, alívio, orgulho, gratidão. Tudo em grandes doses e misturado.
Engraçado o vídeo que mostra o momento exato que termino a prova. Levanto os braços e pulo para dar um soco no ar. Ou melhor, achei que iria pular. Eu até pulo, mas não saio do chão. Não há mais energia. Sem forças, não consigo nem pular. Toda a energia ficou nos quilômetros que deixei pra trás nas ruas de SP.
Nos anos 90 eu era jovem e tinha paciência para escutar as novas bandas da época.
Tinha muita coisa boa acontecendo. Principalmente saindo dos becos e garagens de Seattle.
Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Mudhoney, entre outras ótimas bandas submergiram no início dos anos 90.
Ouso dizer que melhor banda desta safra não foi nenhuma dessas.
Pra mim, foi Alice in Chains.
Explico.
De forma geral, todas estavam no mesmo nível, cada uma com a sua pegada e com o seu líder.
Pearl Jam com o carisma de Eddie Veder. Soundgarden com a potência vocal de Chris Cornell. Nirvana com o doidão Kurt Cobain. Mudhoney com a criatividade de Mark Ann, criador do termo "Grunge".
A diferença do AiC era a dupla Jerry Cantrell e Layne Staley. Não tinham só 1 líder, 1 talento. Eram 2. E os 2 funcionando juntos, sincronizados, elevavam AiC muito acima da média de seus colegas de Seattle.
De tão talentosa, tão afinada, tão sincronizada, essa era mais que uma simples dupla. Eram quase 2 em 1. Eram uma MONODUPLA, se essa palavra existisse...
Já os chamaram de Lennon&McCartney dos anos 90, mas não é pra tanto.
Cantrell é o cérebro do AiC, músico brilhante, escreve as letras, arrebenta na guitarra e ainda canta. E faz tudo isso de forma incrível.
Layne era um vocalista genial. Nada menos do que isso. Genial! Infelizmente era igualmente perturbado.
Veja com atenção esse clip de 96, no começo do post. Layne é o de cabelo pink. É fácil perceber que o cara não está bem.
Ele canta a música inteira de olhos fechados. Bem diferente do que ele fazia normalmente nos shows. Tá numa viagem braba. Mesmo chapado assim canta muito e sua voz mantém a harmonia com a voz do Jerry, produzindo um efeito incrível.
Depois disso, ele foi ladeira abaixo até 2002, quando seu corpo sucumbiu aos abusos.
O lado perverso é que todas as bad trips de Layne ("the man in the box") tiveram efeito bombástico nas letras do AiC, gerando muito material pro Cantrell escrever grandes músicas.
"Like the coldest winter chill, Heaven beside you, Hell within". Pra meio entendedor ...
Assisti esta turma em 93, no Morumbi, num puta show! De verdade, um dos grandes shows que presenciei na vida. Agora, histórico.
Veja aqui outra performance inesquecível da melhor banda de Seattle nos 90 e a melhor dupla das últimas décadas na música.
Como era tosco, tosco demais. Mas também era divertido demais!
Imagine jogar "Tênis", rebatendo uma bolinha quadrada com uma barrinha, controlada por botões giratórios, tipo seletores de rádio. Hoje não precisa nem de controle pra jogar.
Essa era a experiência no Telejogo, no final dos 70, início dos 80. E era o máximo! Difícil explicar como a molecada da época se divertia tanto com tão pouco, mas simplesmente se divertia, e muito.
Depois vieram Atari, Master System, Megadrive, o 1o. X-Box, jogos pra PC, etc. Os princípios básicos dos jogos eram os mesmos: se aprimorar para conseguir passar de fase, superar o próximo desafio, matar o oponente, etc. O tempo passava, a qualidade gráfica e jogabilidade cresciam exponencialmente, mas o objetivo central sempre foi o mesmo: simplesmente se divertir, sozinho ou com os amigos.
Aí veio a Zynga.
Zynga é a controversa empresa que cria joguinhos para Facebook, entre outros. Joguinhos que fazem MUITO sucesso. O Farmville traz todos os dias dezenas de milhões de pessoas para "trabalhar" em suas fazendas virtuais. Hoje, a Zynga é gigante e tem até alguns dos Big Boys do Vale do Silício como investidores, incluindo o Google, entre outros.
Não vem ao caso o excesso de agressividade deles para faturar mais, comentados aqui por seu fundador. Nem as acusações sobre violar a privacidade dos dados dos jogadores, mas sim o princípio dos seus jogos.
Nos Farmvilles da vida, você precisa ACUMULAR para mudar de fase. Não tem a ver com habilidade ou treino. A "diversão"é acumular. Assim funcionam todos os villes (Fishville, Petville, Yoville) e outros jogos deles. Você clica pra cá, clica pra lá e vai acumulando coisas e mudando de fase.E vira um vício. E aí é que entra o modelo de monetização Zynga.
Você pode PAGAR para ter acesso a acessórios exclusivos. Pagando você melhora a sua experiência de jogo, ganha mais penduricalhos e move mais rápido entre as fases, ficando bonito na fita com seus colegas jogadores. Não é mais o jogo pelo jogo, o desafio de ser melhor que o outro pelos seus próprios méritos. Agora a "diversão" é você pagar para acumular mais e ser "melhor".
Não acho isso divertido.
Pelo contrário. Esses jogos reforçam a corrida dos ratos do mundo real, onde deve-se acumular mais, para mostrar e ser admirado por pessoas por quem você não deveria se importar.
Os jogos não são pra isso.
Os do Telejogo não eram. Era diversão simples e pura. Ganha, perde. Começa de novo. Tirra sarro dos amigos e não manda spam para eles para dizem o quanto você tem. Por isso gosto mais deles. Não quero ter uma fazenda maior que a dos meus amigos. Nem na vida real e muito menos num jogo.
Um futuro mais Telejogo e menos Farmville seria um futuro mais divertido. Não faço questão das bolinhas quadradas, mas de tirar sarro dos amigos, não dá pra abrir mão :)